Textos

Amor que não se perde

Aquele sentimento de perda abate os dias, nos traz uma solidão inexplicável e arranca de nós a alegria. Os sorrisos se transformam em soluços. O sentimento bom dá lugar a angústia. Nos vemos diante de um caos, de uma dor que se instala em nós, quando ele nos diz não ou nos isola. Não sabemos o que é pior, um não com louvor ou a barreira que ele arquiteta contra o amor que sentimos.

Nada é mais dolorido e inflamado do que amor deixado, quando alguém diz não e o outro se atina em desesperos. O fim de um relacionamento tem a capacidade de arrancar de nós com violência, as esperanças e os sentimentos bons. Quando alguém nos intimida com a decisão de um término, o nosso coração se entrega ao desmazelo de viver temporário. A sensação da perda pode passar rápido ou pode nos manchar uma vida toda.

O rompimento pode ser superado e servir de experiência, mas também pode virar paranoia, e nos impedir de vivermos mais uma vez o amor.

A vida é feita de experiências boas, ruins e de escolhas. O sofrimento é a prova de que somos frágeis, mesmo quando somos uma pessoa centrada e pés no chão. Ninguém escapa do choro ao perder alguém. Não há ninguém que não precise enxugar as lágrimas das decepções e continuar a vida. Existe também quem se entrega a dor e começa a morrer antes do tempo.

Um “não” de alguém que amamos é como um envenenamento na alma, é pior do que chama incessante, é dor que não se controla. Quando se rompe um gostar é como cortar a veia da vontade de existir e morremos naquele momento quando falta o sentimento dele para alegrar os dias.

Tudo que deixa de existir nos causa um vazio. Quando um alguém parte, leva com ele sentimentos de longos tempos e nos deixa a apatia de que foi bom. Foi bom enquanto durou – como se dizem por aí. Foi! Foi mais do que bom, porque fez parte de nós, nos alimentou com alegria, nos saciou em dias tristes e agora nos vemos sem muita vontade de existir. É assim que nos sentimos quando somos partidos ao meio ou em pedacinhos por ele.

Não somos preparados o suficiente para perdermos. Quando há perdas, toda nossa vida fica incompleta. A pior traição não é ser trocada por outra pessoa, isto é sacanagem. A pior traição é quando não somos mais um que se divide em dois, é quando a outra pessoa sem qualquer preocupação com nós, nos dá um fora inesperado sem muitas explicações ou simplesmente vai fugindo aos poucos até desaparecer.

Se é preciso partir, apenas vá, mas que seja leal, transparente, sem desculpas absurdas e histórias de esperanças. Dar esperança a alguém apenas para aliviar a dor, é puramente covardia, é matar os sentimentos do outro sem culpa. Não tente maquiar o que precisa ser realmente exposto, seja sua vontade acima de tudo, mesmo que o outro sofra, melhor assim, do que ser mentiroso duas vezes.

Ser leal para um adeus, é melhor do que ser covarde em dizer não dá mais com dignidade. Quem parte sofre menos, bem menos, porque já tem outras intenções ou está vivendo outra situação. Quem é deixado, carrega a cruz da dor e se agarra ao tempo, ao destino, para suportar as fragilidades e recomeçar.

Todo ressentimento leva um tempo para ser esquecido e recomeçado. Quando alguém parte, não era para ser seu. Um dia, entendemos que a separação é um acontecimento que foi preciso, porque amor quando é de verdade, não parte, não nos deixa… Se te enlouquecer, é doença. Se for amor, é alimento.


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